
O período da janela partidária é um momento de efervescência nos bastidores da política e remete os partidos a discussões acaloradas e a um estado de permanente articulação. Partidos perdem e ganham parlamentares e, ao final, faz-se o balanço para saber quem ficou com os louros da vitória e quem amargou o dissabor do prejuízo político.
Ao fim da janela partidária de 2026, a Câmara dos Deputados indica como possivelmente será a correlação de forças durante o período eleitoral, pois os deputados mudam de partido, entre outros motivos, com a intenção de se aproximar do posicionamento do eleitorado do estado a que pertencem visando um melhor desempenho nas urnas, bem como em face do que se projeta para o Executivo federal.
Terminada a janela deste ano, o Partido Liberal (PL), que individualmente já tinha a maior bancada da Câmara, sagra-se como o grande vencedor pulando de 86 para 101 deputados, ou seja, com um ganho de 15 parlamentares na Casa, tornando-se a segunda maior bancada da câmara baixa desde o advento da Nova República, pois, em 1998, o PFL ocupou 105 cadeiras em um ano que levou à reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FCH) (PSDB) novamente contra Lula (PT).
Essa mudança representa uma boa perspectiva para a futura candidatura de Flávio Bolsonaro e expressa o crescimento do apoio político ao senador.
O União Brasil (UB) foi o partido que mais teve baixas, passando de 59 a 44 deputados como resultado das saídas (25) e entradas (10) de parlamentares. Essa erosão da base do partido expressa, por um lado, o descontentamento com a postura centrista do UB em relação ao apoio ao pré-candidato que empalma com Lula nas pesquisas, ou seja, Flávio - que vem tendo um crescimento constante. Assim, a maioria absoluta dos janelistas que saíram do partido de Antônio de Rueda migrou para o PL. Por outro lado, algumas saídas representam os embates regionais oriundos da formação da federação com o Progressistas (PP) onde existem situações de antagonismo.
O PT, por sua vez, perdeu uma parlamentar e passou de 67 para 66 deputados federais. A baixa veio do Ceará, onde Luizianne Lins, ex-prefeitra de Fortaleza, deixou o partido, rumo à Rede Sustentabilidade, tecendo críticas ácidas ao petismo que, segundo ela, perdeu sua originalidade política ao abrir as portas para políticos que em nada representam a forma de pensamento e ação que deram origem ao partido de Lula.
Assim, a pequena perda do PT demonstra a estagnação do partido que não atrai mais ninguém além dos de sempre e que, ao mesmo tempo, sofre questionamentos internos por alas que perderam prestígio e que se sentem marginalizadas pelas novas lideranças sem vínculo orgânico com a história do partido.