
Na semana que se encerrou, algo inusitado aconteceu na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte/CE. O vereador Barbosa (PT) recebeu um presente do seu adversário Boaz do Bolsonaro (PL). Em verdade, um presente de grego.
Acontece que Barbosa fez um bolo em comemoração aos 30 dias da prisão de Bolsonaro, ou seja, a prisão realizada a partir de um golpe fantasioso e um inquérito direcionado e distante dos requisitos legais e dos preceitos morais da própria justiça. O vereador petista chegou inclusive a entregar um pedaço do bolo a Boaz do Bolsonaro quando se encontraram no estacionamento da Casa legislativa.
Sabendo da comemoração stalinista do vereador lulopetista, Boaz levou um presente de retribuição ao gabinete do adversário que não se encontrava. O vereador bolsonarista, então, encontrou Barbosa no estacionamento, onde lhe entregou o presente: uma cueca vermelha com duas cédulas de dólares pregadas nos cantos superiores. O petista segurou a cueca desconcertado.
Barbosa e Boaz trocam farpas constantemente nas sessões legislativas, tendo o bolsonarista, depois de atacado, chamado o adversário de Vereador Cuequinha.
A cueca virou símbolo dessa disputa interna da Câmara juazeirense pelo fato de Barbosa ter sido assessor local do deputado Guimarães (PT) que ficou conhecido nacionalmente como Deputado Cuecão depois que um dos seus assessores foi pego com uma vultosa quantia de dólares na cueca como fruto de um esquema de corrupção.
Guimarães chegou a receber o Título Honorífico de Cidadão Juazeirense e a Comenda Padre Cícero em Juazeiro do Norte a partir da proposta do próprio Barbosa que foi aceita pela maioria dos vereadores presentes na sessão que a aprovou. O deputado recebeu a dupla homenagem sem que nenhum movimento de direita fosse articulado em forma de protesto.
Já Boaz é o vereador autor da Lei Anti-Oruam que foi aprovada e recentemente sancionada pelo prefeito Glêdson Bezerra (PODE), sendo publicada no Diário Oficial do Município (DOM) no último dia 15. A Lei proíbe que a Prefeitura de Juazeiro do Norte contrate atrações artísticas que façam apologia às drogas e ao crime organizado.
A Lei Anti-Oruam já foi aprovada em diversos municípios, dentre os quais São Paulo e Salvador, com vários nomes diferentes. Surgiu a partir do projeto de lei 26/2025 da vereadora Amanda Vettorazzo (UB), da capital paulista.
Oruam é o nome invertido de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, rapper e MC que traz em suas letras a apologia às drogas e ao crime organizado e que é filho do segundo nome nacional do Comando Vermelho (CV), o Marcinho VP. Oruam traz tatuado as imagens de seu pai e de Elias Maluco, o dirigente do CV que mandou executar o jornalista Tim Lopes.