
Em 31 de dezembro de 1912, Padre Cícero Romão Batista, anticomunista convicto e liderança do Partido Republicano Conservador (PRC), foi destituído pelo governo do tenente-coronel Marcos Franco Rabelo, representante das forças ditas progressistas. Em seu lugar, foi colocado o interventor José André de Figueiredo que foi substituído por João Bezerra de Menezes. Começou, a partir daí, um verdadeiro cerco ao município de Joaseiro (nome do município à época) que viria culminar com a Sedição de 14 (ou Sedição de Juazeiro ou Revolta de Juazeiro).
No dia 15 de dezembro de 1913, uma Assembleia Legislativa dissidente anunciou Floro Bartolomeu presidente (como se chamavam os governadores) do estado do Ceará como resposta ao cerco político e econômico imposto pelo governo "progressista" a Joaseiro. No dia 18, Franco enviou tropas legalistas que tomaram o Crato e partiram para o município fundado por Padre Cícero. Iniciou-se, então, uma guerra que foi encerrada em 15 de março de 1914 quando as tropas lideradas pelo médico Floro Bartolomeu ocuparam Fortaleza destituindo o presidente (governador) perseguidor.
Padre Cícero não só retornou ao cargo de prefeito, mas também foi eleito vice-governador. Vitória do povo juazeirense contra as forças "progressistas".
Depois de mais de 100 anos de História, Joaseiro, agora Juazeiro do Norte, volta a ser atacado pelas forças ditas progressistas que fazem o cerco contra o município ciceropolitano e querem depor o atual prefeito juazeirense: Glêdson Bezerra (PODE). Em vez de um santo eleito pela fé popular, um servidor da Segurança pública; em vez de armamentos, os governadores petistas (Camilo e agora Elmano) usam o boicote institucional como forma de asfixiar a Terra do Padre Cícero financeiramente descumprindo convênios e negando políticas governamentais aos juazeirenses.
Para tirar Glêdson Bezerra e Tarso Magno (PP) - vice-prefeito benquisto pelo povo juazeirense -, os "progressistas", dentre estes os Bezerra - que não são do Bezerra gledsoniano -, tentam, como assim fizeram em 2020, depois de Glêdson vencer sua primeira eleição ao Executivo municipal, destituir o atual prefeito através da Justiça Eleitoral.
No primeiro mandato do prefeito juazeirense, tentaram cassá-lo através de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e de uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME). Não deu certo. Agora tentam fazê-lo mediante algumas AIJES. E haja AIJES!
Na próxima terça-feira (11.11), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) julgará uma dessas ações. Nela, o prefeito e o vice Tarso foram cassados em primeira instância, mas o Ministério Público Eleitoral discordou da decisão orientando a sessão do TRE a pugnar pela não aceitação das denúncias da oposição municipal "progressista" que, por sua vez, é a representante política local do governo estadual que busca, a todo custo, asfixiar Juazeiro do Norte impondo restrições à população deste município.
A oposição a Glêdson (PT, PSB e outros Ps) diz abertamente que a cassação do prefeito já é tida como certa. Ora! Que certeza é essa? Será um jogo de cartas marcadas? O TRE fará um julgamento técnico, embasado na realidade dos fatos, ou um julgamento político, pressionado pelas forças "progressistas" do Palácio da Abolição? Pelo retrospecto dos julgamentos em relação à cassação deste prefeito juazeirense, acredito que o da próxima terça-feira será técnico. E, assim sendo, o TRE verá que Glêdson Bezerra é culpado. E, assim sendo, decidirá por sua absolvição junto com o vice.
Sim. O prefeito Glêdson é culpado. Culpado de ter ousado enfrentar o conjunto das forças da política tradicional que governaram Juazeiro do Norte por duas décadas antes de seu mandato Executivo. Culpado por não se curvar serviçalmente e de pires na mão esperando as migalhas da mesa do Palácio da Abolição comandado pelos petistas que viraram as costas para o município. Culpado por não se prostrar ao poder hegemônico estadual que fez de tudo para que o Hospital Infantil Maria Amélia Bezerra de Menezes, o Restaurante Popular José Amâncio de Souza, o Cemitério São João Batista e o Memorial Padre Cícero continuassem fechados. O prefeito é culpado por, assim como os defensores de Juazeiro do Norte fizeram na Sedição de 14, não se submeter aos mandos e desmandos de governos abusivos e impositivos que querem subjugar todos os municípios através de uma política hegemônica antidemocrática.
No último quartel da História juazeirense, prefeitos foram processados por corrupção e cassado por vício licitatório e afastado por corrupção na Saúde. Glêdson Bezerra é o primeiro que será julgado não por corrupção, mas por ter aumentado a oferta de serviços no atendimento à população juazeirense. Em outras palavras, enquanto outros foram processados e condenados por tirarem do povo, Glêdson poderá ser condenado - ou não - por ofertar ainda mais a este mesmo povo.
É preciso lembrar que Glêdson protagonizou um ineditismo na política juazeirense: a primeira reeleição consecutiva de um prefeito em 113 anos de História. E isso contra uma candidatura chapa branca apoiada pelo presidente da República, pelo ministro da Educação, pelo governador do estado, pelos deputados eleitoralmente domiciliados em Juazeiro, por três ex-prefeitos, pelo então vice-prefeito, por 18 vereadores(as) dos(as) 21 do Poder Legislativo local e pela maioria dos partidos políticos. Com tudo isso, com todo apoio institucional do governo estadual ao opositor - ferindo a legislação eleitoral - e todo o dinheiro derramado pela coligação do candidato chapa branca (Fernando Santana), o prefeito venceu confortavelmente com uma diferença de 12.578 votos, tornando-se o prefeito com o maior número de votos da História juazeirense.
A reeleição de Glêdson não foi produto do acaso nem estava escrita nas estrelas. Enquanto o governo estadual se preocupava em asfixiar Juazeiro do Norte e seu povo, o prefeito saneava as finanças municipais e buscava apoio de deputados e deputadas para trazer verbas para o Município através de emendas parlamentares conseguindo, com isso, melhorar e expandir o atendimento à população e entregar equipamentos que estavam há anos fechados, como o Hospital Infantil supracitado e o Serviço de Assistência Médica Especializada (SAME), bem como entregar ao povo juazeirense mais de uma centena de equipamentos reformados ou construídos do zero nas áreas da Saúde, da Educação, da Ação Social, da Infraestrutura, do Esporte e da Cultura. Essa culpa Glêdson também tem.
Mais do que culpa, Glêdson tem dolo, pois tudo o que foi feito, foi determinado e foi intencional.
Não sei qual será o resultado do julgamento da AIJE na próxima terça-feira (11) (A oposição, com bola de cristal, diz que será a condenação.). Mas sei o que a maioria absoluta da população juazeirense espera: a não cassação de Glêdson e Tarso Magno. Afinal, por tudo que foi dito, o prefeito juazeirense, com a colaboração direta de seu vice, é culpado por não ter, como prefeitos anteriores, navegado ao canto da sereia no rio da correnteza revolta da corrupção desenfreada. Isso feriu - e fere - o poder hegemônico estadual e sua vaidade "progressista". Ah! Essa culpa, com certeza, o prefeito tem.