
Assim como os absurdos, as coincidências também existem; estas raras, aqueles corriqueiros. A prova disso é que um dia antes de ter ido participar como testemunha de uma audiência do caso Gilvan Luiz, recebi de um amigo meu, o professor Tiago, o link de uma matéria que escrevi em 31 de março de 2022 intitulada EXCLUSIVO! O INCRÍVEL CASO DO PROFESSOR QUE FOI CONVOCADO PARA ASSUMIR SUA VAGA DO CONCURSO DE 1994 EM JUAZEIRO DO NORTE/CE.
A matéria fala do caso do meu amigo e professor Fábio José, ex-vereador de Juazeiro do Norte, que foi chamado para assumir uma vaga 28 ANOS DEPOIS QUE PASSOU NO CONCURSO.
A audiência do caso Gilvan Luiz foi marcada para o dia 9 de julho, ou seja, quarta-feira passada. Às 8 h, estávamos, eu e Gilvan, na sala de reunião do escritório de Gurgel & Quezado Advocacia. A audiência, que seria virtual, não aconteceu porque o réu não compareceu pelo simples fato de não ter sido notificado pela Justiça, mesmo tendo endereço fixo e sendo membro da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Tal qual o caso de Fábio José, o caso Gilvan Luiz é outro absurdo que demostra claramente a letargia da Justiça que caminha pesarosamente como uma tartaruga grávida com cãibra nas quatro pernas e até mesmo no casco. TRATA-SE DO PIOR CRIME POLÍTICO ACONTECIDO EM JUAZEIRO DO NORTE DESDE A MORTE DO VIGIA, EM 1977, que, embora não fosse de natureza política, assim foi transformado pela oposição de esquerda que combatia o regime militar.
CASO GILVAN LUIZ
Em 2009, Gilvan Luiz fundou o periódico Sem Nome. Fui co-fundador - inclusive, batizei o referido impresso - e membro ativo. Fazíamos, juntamente com o hoje advogado Wilson Melo que à época tinha um noticiário de bastante repercussão na TV local, oposição ao governo do então prefeito Dr. Santana (PT).
Conosco, o Sem Nome foi um fenômeno popular juazeirense. Todos que se interessavam por notícias e política queriam ter um exemplar semanal do periódico nas mãos, o que irritava profundamente o prefeito petista e seu séquito de bajuladores que sempre teve uma postura agressiva contra nós.
No dia 20 de maio de 2010, depois do Sem Nome completar um ano, Gilvan foi vítima do crime político que assombrou Juazeiro do Norte, o Cariri, o Ceará e o mundo. Um crime do governo do PT juazeirense.
Naquele dia, estivemos juntos desde a manhã. À tarde, quando saímos da sessão legislativa (começava às 15 h), dirigimo-nos para o Bar 69. Após tomar sua Coca-Cola esperando que eu terminasse a minha cerveja, Gilvan me deixou no bar de Tia Zefa. Uma ou duas horas depois, soube do ocorrido pela boca da própria vítima que já se encontrava em uma maca na Clínica São José. Gilvan teve a preocupação de ligar para mim antes de desmaiar e receber apoio médico.
Gilvan foi sequestrado, no começo da noite daquele fatídico dia, no estacionamento do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), na confluência das ruas do Cruzeiro e São Salvador, quando descia do carro para conversar com uma aluna sobre o Sem Nome. Homens armados o colocaram em um carro e começaram a sessão de tortura contra o editor.
Coincidentemente, naquela semana, o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar (BPM) acabara de chegar em Juazeiro para assumir sua nova função e faziam poucas semanas que o Ronda do Quarteirão tinha sido implantado. A aluna supracitada presenciou o sequestro e uma câmara próxima registrou toda a ação. Esses elementos facilitaram a ação policial na diligência contra os criminosos.
Rodaram com Gilvan lhe dando coronhadas no rosto, na cabeça e nos joelhos, o que lhe resultou um rosto inchado, 46 pontos na cabeça e, durante algum tempo, dificuldade para andar.
Após saberem que a PM estava em seu encalço, os criminosos abandonaram Gilvan à margem da Avenida do Agricultor, mas pularam várias vezes em suas costas antes de irem embora. Na sequência, abandonaram o carro no início da Rua São José, por trás da residência da mãe do então prefeito Dr. Santana (PT).
Esse crime político de sequestro com tortura e tentativa de assassinato teve uma repercussão instantânea e explosiva que rapidamente chegou ao conhecimento internacional. Entidade jornalística internacional de renome, Repórteres Sem Fronteiras, sediada em Paris, emitiu nota repudiando o acontecido. Uma entidade de jornalistas independentes de Los Angeles, também. No Brasil, depois de nossa reunião com a Agência Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília, esta entidade emitiu uma nota exigindo apuração do crime e responsabilização dos culpados.
Enquanto petistas comemoravam o crime no Facebook - o WhatsApp havia sido criado um ano antes e ainda não era utilizado em nossa região -, o grosso da população juazeirense exigia uma elucidação do caso.
Por ser um crime político, o então governador Cid Gomes (PSB), através de seu Secretário de Segurança Pública Roberto Monteiro, o Borboletinha, procurou de todas as formas abafar o caso, o que resultou, inclusive, na prisão arbitrária do delegado regional Levi leal que estava à frente das investigações.
PASSARAM-SE JÁ 15 ANOS, 1 MÊS, 22 DIAS E MAIS DE 6 h (escrevo na manhã deste domingo - 13.07) DESDE O DIA EM QUE O CRIME POLÍTICO FOI COMETIDO E ATÉ AGORA NENHUMA CONDENAÇÃO. VIVA A (IN)JUSTIÇA!
A próxima audiência está marcada para o dia 18 de agosto, às 14 h, e também de forma virtual. Esperamos que, ao contrário da do último dia 9, realmente aconteça, pois quem tem medo da Justiça, em sendo essa verdadeira, é criminoso.
NÃO PODEMOS DEIXAR QUE UM CRIME DESSA NATUREZA SAIA IMPUNE, UM CRIME COMETIDO PELO GOVERNO DAQUELES QUE FALAM EM DEMOCRACIA MAS QUE FESTEJARAM ESSE ATENTADO CONTRA ELA. Política deve ser feita com debates e ações afirmativas, não com sequestro com tortura e tentativa de assassinato.
O QUE É FANTASTICAMENTE ABSURDO É QUE, NESSE PROCESSO CRIMINAL SÓ CONSTE UM RÉU QUE É O GUARDA CIVIL METROPOLITANO CÍCERO SECUNDO QUE NA NOITE DO CRIME ESQUECEU SEU CELULAR NO CARRO UTILIZADO NO SEQUESTRO.
Concluindo, com sinceridade e honestidade, digo que nem eu nem Gilvan Luiz atribuímos a autoria do crime ao então prefeito Santana. Cheguei a essa conclusão sobre sua não participação quando tivemos, eu e Santana, a oportunidade de conversarmos direta e presencialmente, olhando nos olhos, e sozinhos em uma sala da residência do ex-prefeito de Bonito de Santa Fé/PB, o meu saudoso amigo e odontólogo José Amorim.
Isso, no entanto, não apaga o fato do crime ser de natureza política e ter sido elaborado, ordenado e executado por seu governo, ou seja, pelo único governo do PT que existiu no Executivo juazeirense.
QUEREMOS A CONDENAÇÃO DE TODOS OS CULPADOS.