
Semana passada, o que mais se comentou na política de Juazeiro do Norte/CE foi a cassação do prefeito Glêdson Bezerra (PODE). Isso porque, em 1ª instância, o juiz Gustavo Henrique Cardoso Cavalcante, da 28ª Zona Eleitoral, foi favorável ao pedido para cassar a chapa vitoriosa Glêdson/Tarso Magno (PP) impetrado pela coligação derrotada que teve como candidato Fernando Santana (PT).
Segundo a acusação da coligação derrotada, o prefeito Glêdson ofertou à população juazeirense um aumento de óculos, aparelhos auditivos e cestas básicas no período pré-eleitoral com uma finalidade eleitoreira, o que teria favorecido a sua candidatura.
Para quem defende a manutenção de Glêdson e Tarso, ou seja, a grande maioria da população juazeirense e do seu eleitorado, a ação que levou a essa cassação da chapa em 1ª instância é o desrespeito de uma oposição desesperada contra a soberania popular que escolheu, com uma diferença de quase 13 mil votos, a chapa vitoriosa contra um candidato alheio à vontade e às necessidades do povo ciceropolitano, candidato este, inclusive, que fez toda sua campanha em tom de chantagem eleitoral e prometendo o mundo, os fundos e o amor de Seu Raimundo.
É evidente, para toda a imprensa que acompanha as ações do governo municipal - o que faz parte do trabalho da Comunicação -, que o aumento das ofertas nos campos visual e auditivo assinalados foi oriundo de mutirões da Saúde para atender uma demanda reprimida.
A base de sustentação da atual cassação é que esse aumento do atendimento às demandas populares favoreceu a reeleição de Glêdson porque causou desigualdade na corrida eleitoral de 2024, uma vez que esse atendimento gerou "sentimento de gratidão junto aos eleitores de baixa renda do município", nas palavras do próprio juiz. Mas, e se essas pessoas não tivessem sido atendidas, o sentimento seria de revolta e repercutiria negativamente para a reeleição de Glêdson?
Atender ou não atender, eis a questão. Mas em que mesmo isso gerou desigualdade de condições no processo eleitoral?
A coligação de Glêdson e Tarso contou somente com as próprias forças, com uma minoria de partidos, três vereadores e com um apoio de última hora do ex-prefeito Salviano que, diga-se, trouxe derrotas das duas últimas vezes que apoiou a reeleição de um prefeito em Juazeiro do Norte. Ou seja, Salviano estava para o processo eleitoral juazeirense tal qual Mick Jagger esteve para a Inglaterra na Copa do Mundo.
Quanto à coligação derrotada, do então candidato Fernando Santana que teimou publicamente em dizer que o Mercado Central está localizado na Rua São Pedro, contou com o apoio e a participação ativa da maioria dos partidos, de três ex-prefeitos, do vice-prefeito, dos deputados juazeirenses, de 18 vereadores, de Lula, Camilo e Elmano e a própria máquina do governo estadual. O governador Elmano (PT) chegou, inclusive, a fazer propaganda eleitoral no programa de Fernando usando o nome do estado para apresentar a proposta do Bolsa Jovem Juazeiro, ou seja, uma evidente utilização da grande máquina do estado em detrimento das candidaturas de Tarso e Glêdson. O próprio juiz Gustavo Henrique determinou, posteriormente, a retirada dessa proposta da propaganda eleitoral gratuita.
Por outro lado, não foi a coligação de Glêdson e Tarso que foi pega distribuindo gasolina em local aberto de forma ilegal promovendo - aí sim - a compra escancarada de votos. Também não foi a coligação de Glêdson e Tarso que foi pega sacando vultosa quantia no Banco do Brasil para ser usada em gastos não declarados à Justiça Eleitoral.
Se houve, nesse processo eleitoral de escolha de prefeito e vice de Juazeiro do Norte, desigualdade de condições entre os concorrentes, esta, certamente, não foi favorável ao prefeito reeleito e ao seu novo vice.
Ainda sobre os gastos da Prefeitura em relação ao atendimento da demanda reprimida, não existe lei específica que disponha sobre gastos institucionais antes do período eleitoral, excetuando-se a referente à publicidade institucional que deve cessar três meses antes do pleito, o que foi atendido pelo governo municipal juazeirense. O mais, sugere-se querer embutir um jabuti.
Antes, em Juazeiro do Norte, procurava-se cassar prefeito por vício licitatório, superfaturamento, desvio de dinheiro e outras práticas ilegais. Hoje, pretende-se cassar prefeito por atender às demandas populares. Como avançamos.
EXISTE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA CONTRA GLÊDSON BEZERRA?
Os opositores de Glêdson Bezerra morrem de medo dele, é o que aponta o histórico de investidas deles contra o gestor juazeirense. Derrotados e desmoralizados politicamente pelas urnas no jogo do TODOS CONTRA UM, querem banir o prefeito da política a todo custo. Incapazes de derrotá-lo eleitoralmente, jogam, sempre, a decisão para o tapetão, conforme ora acontece.
No dia 12 de novembro de 2020, ou seja, 3 dias antes das eleições, a juíza Kamile Moreira Castro, do TRE-CE, indeferiu o registro da candidatura de Glêdson. Não vingou.
Na primeira sessão da legislatura 2021-2024, no dia 2 de fevereiro, a Câmara Municipal instalou duas CPIs contra Glêdson. No dia 23 de abril do mesmo ano, foi instalada a terceira CPI. E no dia 21 de julho, instalou-se a quarta CPI. Nenhuma teve êxito. Vale lembrar que em toda sessão Glêdson e seus familiares eram atacados por uma postura legislativa agressiva que acabou por transformar, ao longo dos 4 anos, o espaço público do parlamento juazeirense em um espaço privado voltado para interesses particulares e ofensas pessoais.
No dia 1º de maio de 2021, a chapa Glêdson e Giovanni Sampaio (PSD, à época) foi cassada por abuso de poder econômico, em 1ª instância. Tal decisão foi revertida na sessão do TRE no dia 5 de agosto, quando a maioria da Corte absolveu a chapa diante da acusação formulada pelos opositores.
No dia 13 de março de 2024, o prefeito Glêdson sofreu uma investida do MPCE relativa a investigações sobre ilicitude no contrato referente à limpeza pública. À época, Ciro Gomes denunciou que a ação levaria o então procurador-geral da PROCAP, a autoridade que determinou a busca na casa do prefeito, a ser escolhido para o TJ-CE, o que ocorreu rapidamente.
No dia 27 de junho deste ano, por 7 a 0, a cassação da chapa Glêdson/Tarso foi rejeitada pelo plenário do TRE que discordou da denúncia de que o abuso de poder econômico supostamente praticado por Glêdson tivesse provocado vantagens na campanha eleitoral de 2024.
Por fim, no dia 30 de junho, foi proferida a atual cassação que se tornou o assunto mais comentado da política juazeirense. O caso subiu para o TRE.
Nenhuma das denúncias feitas com a finalidade de cassar o prefeito Glêdson Bezerra, nesses 4 anos, 6 meses e 7 dias de mandatos, atingiu o objetivo. Pelo histórico dessas tentativas, o mais provável é que a oposição derrotada - agora unificada em torno das pessoas que comandaram 12 anos da política juazeirense e com aqueles que exercem a hegemonia na política estadual - continue sua marcha desesperada para tirar Glêdson e Tarso no tapetão.
E você, leitor(a) do Sovaco de Cobra, acredita que o prefeito Glêdson e o vice Tarso sejam vítimas de perseguição política?