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Polícia investiga ranking sexual de alunas em universidade de SP

Material foi distribuído em um grupo privado de aplicativo de mensagens

Publicada em 24/08/26 às 04:25h - 37 visualizações

Pleno News


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Polícia investiga ranking sexual de alunas em universidade de SP
Unoeste  (Foto: Fotomontagem/Fábio Souza Tavares)

Um ranking contendo fotos de alunas e avaliações depreciativas de conteúdo sexual circulou em grupos privados de estudantes da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O material foi distribuído em um grupo privado de aplicativo de mensagens, mas acabou vazando até para pessoas de fora do círculo estudantil. A Polícia Civil já identificou cinco suspeitos.

A Unoeste informou que recebeu somente na quinta-feira (20) a denúncia sobre a criação e a circulação de conteúdo com a exposição das acadêmicas.

— Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais — disse, em nota (veja mais abaixo).

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial aberto pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente.

— Até o momento, seis vítimas foram identificadas e cinco suspeitos são investigados. Diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos e responsabilização dos envolvidos — afirmou.

As fotos das estudantes foram retiradas de suas redes sociais sem autorização e reproduzidas no ranking, que foi distribuído em um grupo fechado de aplicativo de mensagens. Foram postados comentários abordando supostos atributos e desempenho sexual das alunas, acompanhados de termos depreciativos e ofensivos.

O caso chegou também ao conhecimento da Frente pela Vida das Mulheres, coletivo que atua há 10 anos na região, e motivou uma manifestação de protesto na frente do campus da Unoeste, na noite desta quinta-feira. Os manifestantes levaram faixas e cartazes.

— Fomos às ruas diante de um caso grave de objetificação e violência contra mulheres dentro do ambiente universitário. Porque criar listas, rankings e classificar mulheres a partir de um suposto “valor sexual” não é brincadeira, não é coisa de menino e não pode ser naturalizado. É expressão de uma cultura misógina que transforma mulheres em objetos e tenta fazer do ódio uma ideologia — postou o coletivo, em sua rede social.

Nesta sexta (21), a Frente voltou a se manifestar sobre o episódio.

— No ato realizado ontem tratamos com responsabilidade a gravidade das denúncias que vieram a público. Também apontamos que práticas de classificação, exposição e objetificação de mulheres não são fatos isolados: estas estão relacionadas à disseminação da cultura redpill no Oeste Paulista — declarou.

Cultura redpill é um conjunto de ideias que afirmam que os homens perderam espaço para as mulheres e precisam agir de forma estratégica para recuperar sua posição na sociedade.

— Dar nome a esse fenômeno é necessário para compreender como discursos misóginos se organizam, circulam e produzem consequências na vida das mulheres. Enfrentar essa cultura exige posicionamento das instituições e da sociedade — diz ainda o coletivo.

A Unoeste informou que, paralelamente à apuração, está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade.

— A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica. Também reforça a importância de não compartilhar imagens, nomes ou conteúdos relacionados ao caso, pois pode ampliar a exposição e os danos às pessoas envolvidas — diz a nota.

A instituição destaca ainda que mantém canais seguros e sigilosos para o recebimento de denúncias, com possibilidade de anonimato e preservação da identidade: a Ouvidoria (no site da Unoeste) e outros canais de denúncia.

— A Unoeste seguirá adotando todas as providências necessárias para a apuração e o cuidado com as pessoas envolvidas — acrescenta.




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