
5 PMs do Ceará foram condenados pela Justiça Militar por formação de organização criminosa que promovia extorsão contra traficantes e donos de mercadinhos e outros empresários que exerciam agiotagem e outras práticas ilícitas. As condenações foram frutos da Operação Gênesis desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) que é um órgão integrante do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Nas investigações, foram identificados dois núcleos de PMs que praticavam os crimes. O primeiro deles tinha 9 PMs denunciados onde apenas 3 foram condenados no dia 26 de março. Dois dias antes, o segundo núcleo apontado, composto por 7 PMs denunciados, teve somente 2 foram condenados.
Os PMs condenados e suas respectivas penas foram o sargento Paulo Rogério Bezerra do Nascimento, apontado como dirigente de um dos núcleos e condenado a 70 anos de prisão, Ronaldo Gomes da Silva, condenado a 25 anos e 6 meses de prisão, Rafael Ferreira Lima, de alcunha Alemão, cuja pena foi de 24 anos e 5 meses de prisão, Alexandre Gonçalves Moreira, com 19 anos de prisão, e Auricélio da Silva Araripe, com 18 anos e 6 meses de prisão. Os advogados de defesa entrarão com ações para reverter as condenações dos PMs.
EXTORSÃO E TORTURA
Os valores das extorsões variavam de R$ 10 mil a R$ 500 mil que eram pagos de uma só vez ou parcelados. A abordagem ilegal dos PMs era sempre feita em horário de trabalho policial com viaturas, fardamentos e armas da corporação para dar um caráter "oficial" à ação criminosa.
Em alguns casos, acontecia tortura física como a que foi feita contra um traficante residente no bairro Luciano Cavalcante, próximo à Câmara de Vereadores de Fortaleza, onde os soldados Rafael Ferreira e Alemão o torturaram para arrancar R$ 500 mil. Segundo as investigações, na ação também estava presente o policial civil Harpley Ribeiro Maciel.
Esses crimes dos PMs aconteceram nos anos de 2016 e 2017. Além da prisão, os PMs condenados também tiveram a perda da graduação de praça.
É lamentável ver que em um estado onde as facções têm mais poder que a Justiça, onde policiais escoltam moradores cumprindo ordens de facção, onde pessoas politicamente ligadas ao governo têm relações diretas e financeiras com o narcotráfico, ainda existam policiais que transformam criminosos em vítimas e ação policial em abordagem de quadrilha.
Esse é o Ceará três vezes mais forte.