
O Diário do Nordeste obteve documentos comprovando que "o valor global de todos os programas sociais que a pesquisada foi beneficiária totaliza R$ 23,4 mil. Vê-se, também, que o último registro de recebimento do Novo Bolsa Família por Francisca Patrícia deu-se em 06/2024, ou seja, após início do vínculo societário com a Nitro Dance Fest que ocorreu dia 20/04/2024". A defesa de Patrícia foi procurada, mas não respondeu à reportagem até a publicação desta matéria.
A 'Nitro Dance' citada na investigação se trata de uma boate no bairro Serrinha, em Fortaleza, ligada à facção. O local sediava festas com apologia à organização criminosa e estava sob gerência de Patrícia até fevereiro deste ano, quando foi interditada durante a Operação Fim de Festa, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).
Na época da operação, o MPCE divulgou que a boate era "responsável pela promoção de eventos festivos com apologia ao crime organizado e funcionaria como reduto destinado ao fortalecimento dos interesses da facção criminosa, principalmente do núcleo subordinado a uma das principais lideranças de uma facção criminosa de origem carioca, preso preventivamente em 2023".
O homem preso em 2023 é Francisco Anderson Rabelo, conhecido como 'Nem Gato' e 'Véi', apontado como liderança local do CV.
Conforme o MP, desde a prisão do esposo, 'Patroa' vinha atuando sob as ordens do marido. Para desarticular o grupo, foi deflagrada nessa terça-feira uma nova operação, denominada de 'Extramuros'.
Segundo a investigação, ao longo de 2024 e 2025, outro homem esteve como parceiro de Francisca Patrícia para comandar a facção. Francisco Bruno Holanda Lima, o 'BH', ficou no 'papel' como sócio-administrador da Nitro Dance Fest, "promoveu e integrou, pessoalmente, organização criminosa, qual seja, a facção conhecida como Comando Vermelho (CV), especificamente o núcleo de atuação no bairro da Serrinha e proximidades, nesta capital".
Bruno Holanda era quem organizava, promovia e divulgava nas redes sociais os eventos festivos na casa de entretenimento. Em abril de 2025, ele foi formalmente denunciado.
"A propósito, dos levantamentos realizados por aquela unidade policial – corroborado pelas diligências ministeriais e pelo conteúdo de materiais apreendidos quando da prisão (temporária) do denunciado –, constam registros de que as “festas” viabilizavam verdadeiras confraternizações do crime organizado, com a exibição de artistas/cantores que faziam apologia ao Comando Vermelho, em meio a eventos nos quais diversas ilicitudes costumavam ensejar o acionamento de guarnições da Polícia Militar (fatos sob apuração no procedimento de origem e/ou em inquéritos policiais): brigas generalizadas, inclusive com pessoas portando armas de fogo; presença de adolescentes sem autorização de responsáveis legais; frequência de pessoas submetidas ao uso de tornozeleira eletrônica; entre outras ilicitudes semelhantes".
Bruno também teria cometido o crime de corrupção ativa. Para conseguir promover as festas da facção, ele contava com apoio de um funcionário público.
Segundo o MP, "a investigação trouxe fortes indícios de que o denunciado integra a organização criminosa Comando Vermelho, bem como ofereceu vantagem indevida a funcionário público".
Repetidas vezes ele teria prometido e enviado dinheiro a um servidor público para que o homem assegurasse avisar antecipadamente os dias e os horários das possíveis fiscalizações a serem realizadas na boate.
"Ao que se apurou, o denunciado encaminhava semanalmente, via PIX, a quantia de R$ 500 a um determinado contato, identificado como 'Gleycin', indivíduo que trabalhava como “agente de cidadania e controle social” junto à Secretaria Municipal da Gestão Regional, órgão da Prefeitura do município de Fortaleza/CE", de acordo com o órgão acusatório.
O agente recebia o dinheiro na própria conta bancária, mas seria um 'intermediador', representando outro funcionário público ainda não identificado, "tido como o real destinatário das quantias enviadas pelo denunciado, aparentando ser o responsável pelo repasse das informações acerca das fiscalizações". Gleycin deixou o cargo no fim do ano passado.
Jornal completo d informações.Parabéns!
Precisamos urgentemente pacificar e moralizar nosso Brasil.