Muitas pessoas, nesta cidade, me abordam sobre o jornal folha da manhã, que fundei e editei ininterruptamente entre 20.09.93 a 20.09 23.
Sempre sonhei com juazeiro do norte como cidade grande, como desejo do padre Cícero e resultado do trabalho de todos nós, milhares de romeiros.
No final do século passado, todas cidades importantes, do ponto de vista econômico e social, tinham 3 referências que as credenciadas e as destacavam pelo Brasil a fora: uma universidade, um canal de TV e um jornal diário. E juazeiro do norte, lamentavelmente, nada disso dispunha, equiparando se a cidades menores.
Eu não teria meios para criar uma universidade ou implantar um canal de TV, mas podia fazer circular um jornal diário. E fiz.
Quando anunciei a pretensão, fui aconselhado a desistir, porque a cidade ostentava o triste título de cemitério de jornais, lembrando que muitos tentaram e fracassaram, fechando as portas em poucos meses ou poucas edições.
Analisei as razões do insucesso de muitos e conclui que deveria ter equipamentos próprios para impressão. Então, trabalhei, juntei e comprei.
Antes do folha da manhã, a imprensa local era muito dependente da prefeitura e da câmara municipal, ainda hoje os maiores anunciantes, na base do quem pega a banda escolhe a música.
Como sempre fui independente e sempre sonhei com uma mídia honesta e corajosa, jamais busquei anúncios de prefeitos ou vereadores e isso me permitiu fazer já jornal que, durante sua existência, comportou se de forma diferente na mídia local.
Busquei, no plano editorial, um formato diferente, com a veiculação diária de 10 notícias curtas de administração, economia e política, garantindo espaços à segmentos sociais que antes eram ignorados.
Fiz o melhor que pude durante 30, sempre com altivez e sem lamber as botas dos poderosos de plantão.
Hoje, decorrido 3 anos do encerramento do jornal, as pessoas me param na rua e lembram saúde de um veículo de comunicação que marcou a historia da mídia impressa em juazeiro do norte e região.