
Em minha juventude, escutei inúmeras vezes a expressão "É cada uma que dá dez". Referia-se a algum fato absurdo. E absurdos têm de monte "nesse mundo de meu Deus" (outra expressão muito usada na época).
No dia 22 de abril de 2014, em sessão da Câmara Municipal de Caruaru/PE, o então vereador Heleno do Inoccop (PRTB), falou de sua tristeza pelo falecimento de um cidadão humilde de 37 anos que "foi dormir" e "Quando acordou, estava morto". Ou seja, o vereador, em sua fala desastrosa, ressuscitou o defunto. O plenário da Casa caiu na gargalhada.
Já na sessão de ontem (30.09.2025) da Câmara Municipal de Fortaleza, a capital alencarina, o vereador Professor Aguiar Toba (PRD) fez o contrário: enterrou quem estava vivo.
Na manhã de ontem, o Diário do Nordeste fez uma homenagem a Raimundo Oliveira de Araújo, o Raimundo do Queijo, como memória viva de Fortaleza. Raimundo do Queijo, que completou 90 anos, tem um comércio (criado em 1978) com o mesmo nome na Travessa do Crato, no Centro da capital cearense, onde vende queijos de boa qualidade e cerveja "da hora".
Passando uma vista por cima na matéria do Diário do Nordeste, o vereador Toba - ou alguém de sua assessoria - deduziu que o comerciante tinha falecido, motivo pelo qual pediu um minuto de silêncio em homenagem póstuma a Raimundo do Queijo.
Após encerrar o minuto de silêncio, o vereador Benigno Júnior (Republicanos), amigo de Raimundo, comunicou que o defunto estava vivo: "Não procede, amigo, estou falando com ele agora. Estou falando com ele aqui ao telefone, graças a Deus".
Nesse momento, o plenário foi do silêncio solene à gargalhada generalizada e o vereador Toba se deculpou por ter matado uma figura tão querida em Fortaleza.
Depois da sessão, o vereador Benigno júnior foi tomar uma cervejinha com o amigo Raimundo do Queijo, fazendo um registro do momento que também foi publicado pelo Diário do Nordeste.
Espera-se que o professor Toba, agora vereador papa-defunto, tenha aprendido a lição. Mas esse caso já pode ser considerado um "causo" que entrará para o folclore da política fortalezense. Muitos ainda falarão do dia em que Raimundo do Queijo foi morto pelo Toba.