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Cubana diz ter sido abusada por Maradona quando tinha 16 anos

Mavys Alvarez diz que, quando o ex-jogador bebia e se drogava, ele ficava possessivo e violento. Justiça da Argentina investiga o caso

Publicada em 25/10/21 às 03:54h - 124 visualizações

por Raul Dias e Mayella Itié, Record TV


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Cubana diz ter sido abusada por Maradona quando tinha 16 anos
Mavys Alvarez tinha 16 anos quando conheceu Maradona  (Foto: REPRODUÇÃO/RECORD TV)

Mavys Alvarez é cubana, tem 37 anos, e mora em Miami (EUA) com o marido e dois filhos. Ela trabalha como empregada doméstica e tem uma história parecida com a de muitos outros cubanos que também deixaram a ilha caribenha para tentar a sorte nos Estados Unidos. Mas a vida de Mavys apresenta um detalhe: quando ela era adolescente e vivia em Cuba, conheceu um dos maiores jogadores da história do futebol: Diego Armando Maradona. Segundo Mavys, ela foi abusada sexualmente pelo argentino e induzida por ele ao uso de drogas quando tinha 16 anos.

As revelações foram feitas em uma entrevista a um canal em espanhol da TV americana. Mavys contou que tudo começou em 18 de janeiro de 2000. Naquela época, Maradona estava internado na Clínica La Pradera, em Havana, capital de Cuba. Um dia, caminhando pela rua, Mavys foi abordada por um amigo de Maradona.

"Quando chegamos lá, disseram à recepcionista que eu era italiana, me fizeram passar por italiana", ela relatou. "O Diego chegou logo depois e ficamos conversando. Ele se surpreendeu quando me viu, não esperava nenhuma visita. Pareceu que foi uma surpresa que eles quiseram dar a ele ou algo assim. Me disseram que ele estava muito deprimido por causa de uma namorada que tinha terminado com ele na época."

Maradona esteve na clínica por quase nove meses para tratar o vício em drogas. "O Maradona começa a ter envolvimento com as drogas quando tinha 24 anos e jogava pelo Barcelona", explica o jornalista Cosme Rimoli, blogueiro do R7. "Ele mesmo confessa, confessou isso porque sofreu uma lesão no tornozelo, teve uma fratura. Maradona ficou mal, depressivo, ele era muito emocional, muito emotivo. E aí ofereceram drogas. Ele experimentou cocaína e adorou. Seguiu cheirando, fumando, também gostava de maconha, bebendo álcool a vida toda. E aí ele foi se perdendo."

A partir daí, Maradona não tinha limites. "Ele proporcionava escândalos absurdos, ele dá tiro de espingarda de chumbinho em jornalista, bate em cinegrafista", relata Cosme. "Ele não tinha limite  também porque as pessoas sabiam que a droga era uma maneira de prender o Maradona. Como o empresário dele, que até facilitava o acesso [do jogador] às drogas e tinha o Maradona, e tinha a vida financeira do Maradona, na mão."

A partir daí, Maradona não tinha limites. "Ele proporcionava escândalos absurdos, ele dá tiro de espingarda de chumbinho em jornalista, bate em cinegrafista", relata Cosme. "Ele não tinha limite  também porque as pessoas sabiam que a droga era uma maneira de prender o Maradona. Como o empresário dele, que até facilitava o acesso [do jogador] às drogas e tinha o Maradona, e tinha a vida financeira do Maradona, na mão".

Dentro do gramado, houve poucos como ele. Mas fora de campo, no jogo da vida, Maradona fez muitos gols contra si mesmo. No ano 2000, por exemplo, com apenas 40 anos, por causa das drogas, ele já apresentava um quadro grave de hipertensão e arritmia cardíaca. Foi nesse contexto que Maradona foi passar uma temporada em Cuba.

Para Fidel Castro, grande amigo do jogador, seria uma boa propaganda para a ilha. Para Maradona, uma oportunidade de se curar do vício que o perseguia. Só que, quando ele chegou a Havana, a realidade foi bem diferente. Em vez de tratamento, Maradona teve direito a tudo de que mais gostava, depois do futebol: festas, bebidas, drogas e mulheres.

Com Maradona estavam muitos amigos e também profissionais da área médica. "Ele foi [à Cuba] para se tratar das drogas, mas lá, como era um regime fechado para a imprensa, a gente imaginava que ele ia se tratar, mas, na verdade, ele aproveitava também da sua popularidade, ele ia para a farra, ia dançar e talvez não consumia cocaína, mas se acabava no álcool", diz Cosme.

Sob as bênçãos de Fidel Castro, que tratava Maradona como um filho, o argentino tinha vida de príncipe em Havana.

"Ele tinha duas mansões à disposição", relatou Mavys na entrevista. "Uma para os amigos e a outra para ele. Naquela casa, Maradona tinha tudo o que queria. Ele tinha seu próprio carro, um Mercedes-Benz que Fidel Castro lhe deu pessoalmente. E cada um dos aluguéis dessas casas valia entre 2 mil e 2,5 mil dólares por mês. Maradona não pagou um centavo nos três ou quatro anos em que esteve em Cuba. Basicamente, ele não se recuperou das drogas. Ia às festas que organizava junto com os amigos. Tem muitas fotos dele com meninas muito novas. Todo esse tipo de coisa Maradona fez em Cuba."

O jornalista cubano Mario Penton, que também vive em Miami, localizou e entrevistou a cubana. "Há alguns meses saiu na imprensa argentina a notícia de que Maradona, no pior momento que viveu em Cuba, queria levar uma jovem à Argentina e disseram que o nome dela era Mavys", afirma Penton. "A partir desse momento, comecei a procurar por ela. Foi um longo processo para convencê-la a falar porque ela é uma pessoa que se sente muito magoada, lastimada e que teve dificuldade em contar sua história."

Na época, Mavys era uma menina de 16 anos. "Tenho vergonha de ter vivido tudo isso durante certa parte da minha vida. Me deixa triste saber que com 16 anos fiz parte de tudo isso. É a experiência mais difícil que tive na vida. Acho que, de certa forma, não escolhemos o que vamos viver e simplesmente acabamos fazendo parte das coisas."

Mavys diz que, no começo, Maradona era um cavalheiro, gentil e atencioso. Dava a ela dinheiro e presentes. Mas isso foi mudando com o tempo. Quando bebia e se drogava, Maradona se tornava possessivo e violento.

"É verdade que ele me batia. Isso aconteceu várias vezes. Uma vez ele me empurrou para fora da sala de jantar, me colocou no carro e me agarrou pelo cabelo quando chegamos em casa. Eu não tinha como denunciar, não pude nem sair de casa naquele dia! Até porque não acredito que a Justiça teria feito alguma coisa porque Fidel ajudaria o Diego a escapar de qualquer problema."

Ainda segundo Mavys, Maradona insistia que usassem drogas juntos. "Diego me levou às drogas quando eu tinha 16 anos. Em várias ocasiões ele tentou, ele insistiu. Foi depois de uns seis meses de namoro. Ele se sentia sozinho e provei cocaína para agradar a ele. Abandonar as drogas foi bem difícil, elas me davam muitas alucinações. Uma vez fui parar no hospital porque fiquei desidratada. Eu tentava, mas não consegui sair dessa. Era uma espiral porque, quando parava de usar drogas, me refugiava no álcool."

Maradona a levou para a Argentina

Quando recebeu alta da clínica, Maradona voltou para a Argentina, mas fez questão de levar Mavys com ele para Buenos Aires com um propósito especial: que ela passasse por uma operação para aumentar os seios.

Apesar de ainda ter 16 anos, Mavys viajou e foi submetida à cirurgia sem autorização dos pais.

“Eu tinha medo que a operação desse errado em Cuba, que eu tivesse algum tipo de infecção. Então ele decidiu que eu fose operada na Argentina. Era para ser [uma viagem] de 20 dias, mas tive que ficar quase três meses por causa das loucuras do Diego.”

Foram quatro anos de relação. Mavys diz ainda que, em mais de uma ocasião, Maradona a violentou fisicamente.

Nessa época, o empresário e tutor de Maradona era Guilhermo Coppola.
Ele seria o responsável por organizar as festas e arrumar as companhias para Maradona e os amigos.

“Maradona tinha inúmeras namoradas cubanas, assim como todos os seus amigos. Por exemplo, o próprio empresário de Maradona, Guillermo Coppola, disse em uma entrevista à televisão pública argentina que dormiu com pelo menos 700 mulheres cubanas. Ainda disse isso como se fosse motivo de orgulho”, destaca o jornalista Mario Penton.

Herói nacional

A denúncia de Mavys caiu como uma bomba na Argentina, onde Maradona é idolatrado. Ele se transformou em herói nacional na Copa do México, em 1986, especialmente por causa de um jogo contra a Inglaterra. Nesse jogo, Maradona eliminou os ingleses marcando um gol com a mão.

“Maradona fez algo na Copa do Mundo do México, em 1986, que era quase o sonho de qualquer jogador de futebol argentino, porque aquele jogo com a Inglaterra foi fundamental”, descreve o jornalista argentino Sergio Levinsky. “Devemos lembrar que aquele jogo foi quatro anos depois da guerra das Malvinas. Fazia muito, muito pouco tempo da guerra. Eu estava no estádio Azteca e havia um clima muito especial, muito carregado, muito tenso.”

O jogador ainda fez um gol que figura até hoje como um dos mais bonitos de todas as copas, driblando toda a defesa da Inglaterra.

Mas os tempos de glória foram substituídos pela decadência física provocada principalmente pelas drogas e álcool.

Os problemas de saúde se agravaram até que, em novembro do ano passado, Maradona teve uma parada cardiorrespiratória e morreu.

A Argentina parou para se despedir de um dos maiores ídolos de sua história. “O que se viu nos dias que se seguiram à morte dele... Tudo foi vivido de uma forma como se fosse um funeral de Estado”, lembra Levinsky.

Caso na Justiça

Agora a denúncia de Mavys coloca Maradona de novo no centro das atenções.

A ONG Fundación por la Paz y el Cambio Climático de Argentina entrou na Justiça para pedir mais investigações sobre o caso. Para o presidente da ONG, Fernando Miguez, existem indícios de vários crimes, entre eles o de tráfico de pessoas.

“Nós indiciamos cinco pessoas. Não só por tráfico humano, mas também por iniciarem uma menor nas drogas. Além disso, devido à imposição de Maradona, Mavys, na Argentina, fez uma operação de mamas, aumento de mamas, e eles a mantiveram em cativeiro na Argentina. Estamos falando de uma verdadeira gangue que cometeu uma série de crimes”, diz Miguez.

Com a repercussão do caso, a própria Mavys contratou um advogado para representá-la na Argentina.

“Ela levou muito tempo para vencer o medo, tanto de Maradona como do próprio Fidel Castro”, afirma o advogado de Mavys, Gastón Marano. “Afinal, ela ainda morava em Cuba, sua família está lá até hoje. Mas agora se sente encorajada a falar, denunciar e exigir justiça.”

Especialista em direitos humanos, Marano diz que os crimes envolvem dezenas de pessoas, desde aquelas que estavam no entorno de Maradona até médicos e funcionários públicos.

“Obviamente, alguém coordenou tudo isso com a Direção Nacional de Migração, que não relatou [o fato de] uma menor [estar] entrando na Argentina sem a permissão de seus pais. Além disso, por dois meses e meio ela ficou em um hotel. Ali, um médico fez nela uma operação de busto, também sem a autorização dos pais. E então a jovem deixa o país nas mesmas condições. Imagine a quantidade de pessoas envolvidas nisso! O que quero dizer é que podemos praticamente ler todo o Código Penal argentino e vamos ter que parar a cada quatro, cinco páginas, nesse caso, porque foram muitos anos de abusos e muitas coisas ilegais feitas nesse período.”

Hoje, a filha de Mavys tem quase a mesma idade que a cubana tinha quando se envolveu com Maradona. Ela diz que por isso veio a público. Para evitar que outras garotas vivam essa mesma história.

“Espero que elas pensem bem, porque você pode até viver momentos bonitos, mas é uma vida muito dura, como eu contei. No começo eu estava feliz, mas, depois que comecei a usar drogas, tudo mudou. Mudou tudo na minha vida e nada foi para melhor.”




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