
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, pediu aos manifestantes que não recuassem face à repressão das autoridades e defendeu que a mobilização popular é essencial para pôr fim ao regime autoritário.
Falando a partir do exílio, Pahlavi afirmou que o actual governo perdeu a legitimidade e que os protestos representam uma oportunidade histórica para os iranianos reclamarem direitos fundamentais e liberdades políticas.
Pahlavi, exilado desde que a revolução islâmica derrubou seu pai em 1979, também fez um pedido a Trump na sexta-feira para que esteja preparado para intervir em auxílio ao povo iraniano.
O apelo surge num contexto de manifestações em várias cidades iranianas, motivadas por uma grave crise económica e pelo aumento do descontentamento popular, às quais as forças de segurança têm respondido com detenções e uso da força.
As autoridades iranianas continuam também a impor fortes restrições ao acesso à internet, numa tentativa de dificultar a organização dos protestos e a divulgação de informações sobre a repressão.
A liderança iraniana manteve este sábado, pelo segundo dia consecutivo, o bloqueio do acesso à internet, em meio a protestos em massa que continuam a crescer em várias cidades do país, segundo observadores de redes.
A organização global de monitorização da internet NetBlocks escreveu na rede social X que os seus "indicadores mostram que o apagão nacional da internet continua em vigor há 36 horas, limitando severamente a capacidade dos iranianos de verificar a segurança de amigos e familiares".
Também no X, um utilizador escreveu: "Mais uma noite de protestos, mais uma noite de repressão — e os iranianos continuam sem contacto com os seus entes queridos por causa do apagão da internet".
As forças de segurança iranianas cortaram completamente o acesso à internet para a população, mantendo o serviço apenas para os próprios serviços de segurança e para alguns órgãos de comunicação social estatais selecionados.
De acordo com relatos, algumas pessoas estão a contornar o bloqueio através da internet por satélite Starlink — desde que tenham conseguido importar ilegalmente os terminais necessários.
Observadores afirmam que a liderança iraniana tem dois principais objectivos com o bloqueio: dificultar a organização dos protestos e impedir a divulgação de relatos, fotografias e vídeos sobre a agitação e a repressão.
Uma onda de protestos tem abalado o Irã há quase duas semanas, desencadeada pelo agravamento da crise económica e pela forte desvalorização da moeda nacional, o rial.
Inicialmente concentradas em Teerão, as manifestações espalharam-se rapidamente para outras grandes cidades e transformaram-se em protestos políticos contra o carácter autoritário do governo.
No sábado, a imprensa britânica noticiou que um médico e um técnico de saúde de dois hospitais afirmaram que as suas unidades estão sobrecarregadas com o número de feridos durante os protestos.
Um médico de um hospital oftalmológico em Teerão disse que a unidade está em modo de crise, enquanto um técnico de saúde de outro hospital afirmou não saber se há cirurgiões suficientes para lidar com o fluxo de pacientes.
Segundo activistas, pelo menos 65 pessoas terão sido mortas durante os protestos em massa. Mais de 2.300 pessoas terão sido detidas, de acordo com a rede de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos.