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Khamenei diz que não vai recuar diante dos protestos e acusa manifestantes de buscar agradar Trump

Irã vive maior onda de protestos contra o governo desde 2009. Movimento escalou de insatisfação com economia para pedir que líder supremo deixe o poder. Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso regime Khamenei mate manifestantes.

Publicada em 09/01/26 às 21:38h - 26 visualizações

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Khamenei diz que não vai recuar diante dos protestos e acusa manifestantes de buscar agradar Trump
Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã  (Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters)
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados que ocorrem pelo país há quase duas semanas e acusou manifestantes de agirem para "agradar" o presidente dos EUA, Donald Trump.

Em seu primeiro pronunciamento desde que os protestos escalaram e tomaram uma nova proporção, ainda nas primeiras horas de 2026, Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em um discurso transmitido pela TV estatal.

“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei. Ele acusou os manifestantes “estarem destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”, em referência a Trump. O líder iraniano disse para o líder norte-americano “cuidar do seu próprio país”.

Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.

As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Até o momento, os protestos já deixaram mais de 60 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.

Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irã. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo regime Khamenei e disse que "atingirá muito duramente" o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de "arrogante" e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.

Na quinta-feira, os protestos ganharam uma nova proporção após Khamenei ter ordenado um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os manifestantes. A quarta-feira foi considerada o "dia mais sangrento" dos protestos até o momento, em que foram registradas as mortes de 13 manifestantes.



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