
Hoje (08.01), em seu décimo segundo dia de manifestações anti-regime, o governo iraniano endureceu ainda mais a repressão. Khamenei sabe que dessa vez pode ser um movimento sem volta.
Da França, Reza Pahlavi, filho de Mohammad Reza Pahlevi (rei derrubado pelo movimento liderado pelos aiatolás em 1979), disse que a questão não é saber se o regime ditatorial teocrático islâmico cairá, mas quando isso acontecerá. O herdeiro disse que espera retornar para o Irã para dirigir o processo que resultará no estabelecimento de uma democracia liberal.
As palavras de Pahlavi incentivaram ainda mais a onda de protestos que tomou conta de todo o país. Nas ruas, a população insurgente grita palavras de ordem pedindo o fim do regime, a morte de Khamenei e a volta do rei Pahlavi.
O que começou como um protesto contra a escalada inflacionária a desvalorização gritante do rial, moeda iraniana, tornou-se rapidamente uma onda avassaladora que passou a questionar o regime como um todo.
Nas ruas, homens e mulheres dizem que já não têm mais medo de se manifestar. Em algumas localidades, prédios das forças de segurança e veículos militares foram incendiados e estátuas do regime derrubadas. Embora já existam dezenas de populares mortos, centenas feridos e milhares presos, militares das forças de segurança também foram mortos e muitos fugiram diante do poder das multidões iradas.
Ao questionamento sobre a crise econômica e a escassez dos recursos hídricos se somou a oposição ativa e propositiva à opressão que sustenta o regime.
Fala-se em uma possível fuga do aiatolá Khamenei para Moscou, uma vez que a Rússia é o grande aliado da ditadura iraniana. Por outro lado, Putin não vem em auxílio de Khamenei. Mergulhado na Guerra da Ucrânia, com graves problemas econômicos e com crise política interna, o país dos czares não tem mais força para socorrer a República dos aiatolás.
Por outro lado, a China não emitiu nenhuma nota oficial, não se solidarizou com o governo iraniano, não comentou nos noticiários internacionais. Ao que parece, o país da Muralha só enxerga o Irã como um grande posto de combustíveis.
Diante de tamanha efervescência, soldados iranianos já começaram a desertar e até mesmo alguns aiatolás já dão depoimentos pedindo o fim daquele que durante décadas foi o seu regime.
Uma provável queda da teocracia islâmica no Irã mudará substancialmente a geopolítica da região, uma vez que este país é o principal financiador de grupos como o Hamas, na Palestina, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen.
A queda dos aiatolás significará um fortalecimento de Israel e da Arábia Saudita, seu principal inimigo no mundo islâmico. Também acentuará a desestruturação do Hamas, Aliás, nas ruas, manifestantes iranianos dizem que não interessa o Hamas. Dizem não querer que seu país envie dinheiro para equipar e treinar grupos extremistas enquanto a população passa privações.
Diante dessa situação, hoje o governo iraniano resolveu endurecer ainda mais contra os manifestantes. E, com medo da veiculação de mensagens de Pahlavi, o filho, e de vídeos que mostram as manifestações em todo o País, bloqueou a Internet em todo o território.
Segundo alguns analistas, 4% da população iraniana está protestando nas ruas. Para o Irã, que tem uma população de 90.024.555 habitantes, isso corresponde a 3.600.982 pessoas armadas com pedras e, principalmente, com o firme propósito de restaurar o governo dos Pahlavi.
Ao que tudo indica, um novo capítulo na história da antiga Pérsia está prestes a ser escrito.