
Ainda de acordo com o instituto, a Rússia concordou em equipar e treinar o Exército chinês para lançar veículos blindados e outras unidades por via aérea.
A análise, divulgada nesta sexta-feira (26) e assinada por Oleksandr Danylyuk e Jack Watling, teve como base 800 páginas de contratos e materiais complementares conseguidas pelo grupo hacktivista Black Moon.
O texto ressalta que os documentos "parecem genuínos" e que os detalhes foram verificados de forma independente. Ainda assim, ponderou que existe a possibilidade de que partes deles tenham sido alteradas ou omitidas.
Os autores ressaltam que uma operação anfíbia -- ou seja, por mar -- em larga escala é altamente arriscada, sendo que os locais mais adequados para que as tropas e equipamentos desembarquem na ilha são limitados pela inclinação e a capacidade de aguentar grandes cargas das praias.
Assim, eles explicam que a tomada de aeródromos poderia permitir o fluxo de tropas por via aérea, mas, "como a Rússia descobriu durante a invasão da Ucrânia, as pistas podem ser rapidamente bloqueadas", sendo que isso seria uma das prioridades do Exército taiwanês.
"A Rússia possui experiência prática e capacidades de manobra aérea que a China não possui", comentam.
De acordo com os contratos e correspondências obtidos pelo grupo e citados pelo Royal United Services Institute, a Rússia concordou em 2023 em fornecer à China um conjunto completo de armas e equipamentos para equipar um batalhão aerotransportado.
Também deve enviar outros equipamentos especiais necessários para a infiltração aérea de forças especiais, juntamente com um ciclo completo de treinamento para operadores e pessoal técnico para seu uso.
Além disso, a Rússia está transferindo tecnologias que permitirão à China ampliar a produção de armas e equipamentos militares semelhantes por meio da localização e modernização.
De acordo com o texto do instituto britânico, os acordos preveem a venda pela Rússia à China de:
Além disso, os veículos blindados devem ser equipados com conjuntos de comunicação, comando e controle chineses, com verificação de compatibilidade eletromagnética com equipamentos eletrônicos russos.
"Isso se deve tanto à necessidade de manter a interoperabilidade com outras unidades chinesas quanto à melhor capacidade técnica dos equipamentos chineses. Os russos também devem preparar os equipamentos e softwares para o uso de munição chinesa", destacam.
Outro ponto do entendimento entre os países é que os russos treinem um batalhão de paraquedistas chineses no uso desses equipamentos.
"Após a conclusão dos cursos sobre equipamentos de treinamento e simuladores, o treinamento coletivo do batalhão aerotransportado chinês será realizado em campos de treinamento na China", comentam.
"Lá, instrutores russos prepararão o batalhão para pouso, controle de fogo e manobras como parte de uma unidade aerotransportada", adicionam.
O texto do instituto explica que a capacidade de lançar veículos blindados em áreas de terreno aberto e firme perto de portos e aeroportos de Taiwan permitiria que as tropas de assalto aéreo da China aumentassem significativamente seu poder de combate e ameaçassem tomar essas instalações para abrir caminho para o desembarque de mais tropas.
"Helicópteros oferecem os meios mais flexíveis de desdobramento de tropas, mas a infantaria leve, sem o apoio de blindados e fogo, necessariamente terá dificuldades para manter seus objetivos contra um adversário mecanizado, como as tropas aerotransportadas russas descobriram, em seu detrimento, em Hostomel", destacam.
"O maior valor do acordo para o Exército da China, no entanto, provavelmente reside no treinamento e nos procedimentos de comando e controle das forças aerotransportadas, visto que as forças aerotransportadas russas têm experiência em combate, enquanto a China, não", conclui.