
Durante a celebração deste domingo, na Praça São Pedro, o papa Leão XIV também canonizou outro jovem italiano, o estudante Pier Giorgio Frassati (1901-1925), um apaixonado pelo alpinismo, conhecido por seu compromisso social e espiritual.
A canonização de Acutis, que morreu aos 15 anos de leucemia em 2006, deveria ter acontecido em 27 de abril, mas precisou ser adiada devido à morte do papa Francisco. Neste domingo, a Praça São Pedro, no Vaticano, foi tomada pelos fiéis, sobretudo os mais jovens.
Foi o papa Francisco, inclusive, quem fervorosamente desejou que o caso da santidade de Acutis fosse adiante, convencido de que a Igreja precisava de alguém para atrair jovens católicos à fé.
A cerimônia teve início com a leitura da biografia de Frassati e de Acutis seguida pela Ladainha dos Santos. Após, o papa Leão XIV fez a leitura da oficialização da canonização dos jovens recebida com palmas pelo público.
A família de Acutis esteve na Praça de São Pedro durante a solenidade. Mãe, pai e irmãos gêmeos prestigiaram o momento, uma raridade durante canonizações.
Nos anos desde sua morte, milhões de jovens católicos têm se reunido em Assis, na Itália, onde, através de um túmulo com paredes de vidro, podem ver o jovem Acutis vestido com jeans, tênis Nike e um moletom, com as mãos entrelaçadas em torno de um rosário.
Aqueles que não podem ir pessoalmente a Assis podem assistir ao vaivém através de uma webcam apontada para o seu túmulo — um nível de acessibilidade à internet que nem mesmo os papas enterrados na Basílica de São Pedro têm.
Acutis nasceu em Londres, em 1991, cresceu em Milão e demonstrou desde cedo seu fervor religioso. Ele foi beatificado em 2020 e o Vaticano atribui dois milagres a Acutis que o qualificaram para ser canonizado: a cura de uma criança brasileira com uma rara malformação do pâncreas e a cura de uma estudante costa-riquenha gravemente ferida em um acidente.
O milagre que abriu caminho para a canonização de Carlo aconteceu na Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Campo Grande, capital sul-mato-grossense. Aos 6 anos de idade, o menino Matheus Lins Vianna, hoje com 15 anos, foi diagnosticado com pâncreas anular, uma anomalia congênita grave no pâncreas, que poderia levar à morte por obstrução intestinal.
Segundo a Igreja Católica, após intensas orações da família, o menino tocou uma relíquia de Carlo Acutis e foi curado de forma inexplicável. Exames médicos posteriores atestaram a cura e, em 2020, o milagre foi aprovado pelo Vaticano, levando à beatificação de Carlo.