
Assim, o Diário do Nordeste traça o perfil de trabalho do comandante. Com avaliação das passagens recentes por Bahia e Botafogo, além dos motivos da própria gestão para fazer a escolha.
O técnico português Renato Paiva é adepto de um modelo tático posicional. O estilo foi desenvolvido nos anos 70, popularizado recentemente por nomes como o espanhol Pep Guardiola, e consiste em sempre ter uma superioridade numérica nas diferentes zonas do campo, com muita movimentação para desestabilizar a linha defensiva adversária e também alas agressivos, para “aumentar” o campo.
Em entrevista ao Charla Podcast, o próprio treinador detalhou melhor a preferência pela formação. Para funcionar totalmente, essa filosofia requer mais tempo, o que impactou o início dos trabalhos em Bahia e Botafogo. No Fortaleza, pelo cenário emergencial, está disposto a se adaptar ao elenco.
“É um jogo que quando tu atacas tem o campo dividido em zonas, na teoria. Essas zonas têm que estar ocupadas em um primeiro momento no tal sistema, seja 3-4-3, 3-5-2 ou 4-3-3. A largura é obrigatória. É obrigatório haver jogadores na largura. A maior dura nas minhas equipes é quando eu olho e não vejo ninguém parado na linha direita ou esquerda. Mas na dinâmica do jogo o ponta pode ir para dentro e alguém tem que ocupar aquela zona, seja o lateral, volante... Tens que manter o equilíbrio. Estas zonas têm que estar ocupadas, não me interessa por quem, quando ataca [...] O jogo posicional é de uma posição inicial para que tu faça chegar a bola em uma zona e daí começar as dinâmicas. Não é rígido porque a largura pode ser ocupada pelo ponta, interior ou lateral... E tudo isso tem a ver com a qualidade dos seus jogadores no momento da construção, que é gerar superioridade numérica em relação ao adversário", diz Renato Paiva, novo técnico do Fortaleza.
"No Bahia, é preciso separar em duas esferas. É separar o trabalho em campo, muito bem avaliado no Bahia e pelos jogadores. Os resultados não vieram, mas era trabalho de médio a longo prazo, o Grupo City dava respaldo. A relação com o externo não foi muito boa, a comunicação com a torcida através da imprensa criou um racha entre torcedor e treinador. E culminou na saída após uma das organizadas colocar a foto dele com orelha de burro, isso o afetou, ele pediu demissão a contragosto da diretoria, que iria mantê-lo até o fim da temporada. Chegou com respaldo por trabalhar bem com jovens no Del Valle”, declarou o comentarista Elton Serra para a ESPN, em fevereiro de 2025.
“O Botafogo estava em uma crescente antes da Copa do Mundo. Vinha muito bem no Brasileiro, nos últimos seis jogos antes da Copa, o Botafogo ganhou cinco, e a sequência era boa porque o Renato Paiva estava se achando com o elenco, mas o Botafogo tinha o resultado, mas não performava bem. Só que o Renato estava se achando, colocando o Cuiabano de ponta, Alex Telles como lateral mais preso, alternando os laterais-direitos, entre Vitinho e Mateo Ponte, o Savarino, um pouco mais para o lado, então era um trabalho em crescente e a demissão pegou muita gente de surpresa porque, apesar da derrota para o Palmeiras ter sido decepcionante, nas oitavas, a vitória contra o PSG estava em alta. Se eu tivesse de avaliar o trabalho dele no Botafogo, eu diria que não foi excelente, passou longe de ser, era bom, só que nunca empolgou, pela performance do time em campo, mas estava em uma crescente. Então o John Textor resolveu fazer essa mudança porque ele se preocupa com a forma que o time performava em campo, e o Botafogo, por vezes, achava resultados, não construía eles", explicou Sérgio Santana, setorista do Botafogo no ge, ao Diário do Nordeste.
O maior desafio de Renato Paiva será gerenciar o elenco do Fortaleza. Avaliado internamente como de alta qualidade, o plantel mudou de perfil em 2025 e não apresentou bons resultados na atual temporada, exigindo uma tomada de decisão da gestão, que culminou com a demissão de Vojvoda. Com baixo número de reforços e cerca de 85% do elenco mantido, o português precisa recuperar a motivação do grupo, que demonstrou atuar em uma rotação abaixo no ano, além de definir uma nova forma de jogar, com um esquema que devolva a competitividade do time. O contraponto da passagem pelo Brasil foi a relação externa com o torcedor: tanto no Bahia como no Botafogo, Paiva teve problema com a expectativa gerada junto à torcida, o que rendeu críticas, apesar de funcionários elogiarem o trabalho. Assim, esses parâmetros devem ser compensados, com atuação menos complexa para facilitar uma rápida absorção, visto que, no futebol brasileiro, sempre teve a missão de "iniciar trabalhos" e agora chega o ano em andamento e a missão de lutar contra o rebaixamento. Dos nomes disponíveis, era uma opção positiva por seguir no rol da Série A. O risco exige mais pela condição que o próprio clube se colocou.