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Alto executivo da Nike revela em suas memórias que há 56 anos matou um homem

Publicada em 15/11/21 às 08:28h - 113 visualizações

por Iker Seisdedos García, El País


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Larry Miller, num evento da marca Jordan em Paris, em 2018  (Foto: Lien Meunier (PSG via Getty Images))
Edward David White, um garoto negro de 18 anos que não costumava se meter em confusão, foi assassinado na Filadélfia em 1965. Era uma noite do início do outono. White acabava de sair do trabalho e se dirigia a um encontro com a namorada, jovem mãe de uma criança de oito meses e grávida de sua segunda filha. Um sujeito de 16 anos, bêbado, acompanhado por outros três rapazes e armado com um revólver calibre 38, cruzou fatalmente seu caminho.
Disparou-lhe um tiro no peito. Queria vingar a morte de um membro de sua gangue juvenil, dias antes, a punhaladas. O assassino foi preso naquela mesma noite. Como era menor de idade, pegou quatro anos e meio numa instituição para adolescentes.
Quando saiu, seguiu mais alguns anos pelo mau caminho. Passou outra temporada na cadeia. E aos 30 e tantos sossegou: fez mestrado em Administração de Empresas, deixou o bairro e se transformou em Larry Miller, alto executivo da Nike. Chegou a ser presidente da equipe de basquete Portland Trail Blazers e responsável na multinacional pela marca de Michael Jordan, de quem foi braço direito nos negócios. Hoje tem 72 anos.
Bem que poderia ser um conto americano com lição de moral exemplar, se não fosse pelo fato de que, em sua longa jornada rumo ao sucesso, Miller sempre ocultou aquele cadáver. Cinquenta e seis anos depois, decidiu ajustar as contas com seu passado e narrar sua história nas memórias Jump: My Secret Journey From the Streets to the Boardroom (Jump: minha jornada secreta das ruas à sala de reuniões), cuja publicação está prevista para janeiro. Em outubro passado, ele deu uma entrevista à revista Sports Illustrated e, neste fim de semana, o The New York Times reconstruiu a história do ponto de vista da família do assassinado, para a qual as últimas notícias significaram uma amarga volta ao passado.
Segundo expressaram ao jornal nova-iorquino, os familiares gostariam de pelo menos ter sabido de antemão da publicação do livro – e o que este revelava sobre o absurdo final de seu ente querido. Souberam do lançamento porque o filho de White, hoje um homem de 56 anos, leu por acaso semanas atrás, na internet, a entrevista na Sports Illustrated. Até então, ele só sabia que seu pai tinha sido assassinado na esquina da rua 53 com Locust. Nada mais.
Em suas memórias, Miller não cita o nome daquele cuja vida ele arrancou, embora tenha escrito que sempre vai “chorar sua perda”. Também diz que não conhecia a vítima e que sua morte não se deveu a nada além do puro acaso. Contar isso 56 anos depois, acrescenta, libertou-o dos pesadelos e das enxaquecas que o assombram por mais de meio século. Em todo esse tempo, ele manteve aquele episódio em segredo, sobretudo depois de ter sido rejeitado numa entrevista de trabalho de uma importante consultoria quando conheceram seus antecedentes. Desde então, optou por dedicar sua vida a essa forma da mentira que consiste em não dizer toda a verdade.
Naquela noite de 1965, White, ao se ver na mira de uma arma, levantou as mãos e tentou convencer seus assaltantes de que não pertencia a nenhuma gangue. Miller pagou por seu crime, mas a família exige agora uma desculpa, uma porcentagem das vendas do livro e que ao menos na obra, ainda não lançada, figure o nome de White.
O episódio reverberou com força nos Estados Unidos, um país sobre o qual ainda se projeta a suspeita de que, no momento da morte, a raça determina, como mostra esse caso ocorrido há meio século, o quanto você importa para o sistema.



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