
Lembro daquela tarde remota quando fui recebido sob olhares curiosos e amistosos. Uma casa tão simples com tanta vida que revalidou minha crença de que a simplicidade é uma coisa genial. Não sabia que vínculo ali formaria, mas o amor contido naquela simplicidade que a mim se descortinava me fez criar raízes sob a sombra perene da sinceridade.
Dentre as pessoas que me acolheram, aquele homem baixo, franzino, de tez escura e quase sempre pronto a acender um sorriso. Disse uma amiga nossa: "Ele era a alegria da casa". E completou: "Ele me ensinou que a vida pode ser alegre".
Quando sereno, de roupa social e gravata bem posta, não olhei. Quis deixar memorizado aquele sorriso matreiro e descompromissado. Quis usar da parcimônia de quem estava à minha volta.
Do domingo pela manhã à tarde da segunda-feira, nunca vi uma casa tão recheada, uma homenagem coletiva incontida, gente pegando o sol com a mão. O arrebol matinal descortinou o meu cansaço altivo.
A procissão de carros e motos também demonstrou quão querido era aquele simples campesino.
Deu-se o adeus para a Deus encomendar um espírito. Ao final da tarde, quando o dia já queria escurecer, a paz clareava o encontro da despedida. É na morte que fica escrito quando uma vida realmente valeu ser vivida.
Conhecer meu amigo Expedito Vicente Palmeira foi um presente da vida.
Lamentei quando, de surpresa, me disseram que ele havia falecido. Eu, assim como muitos outros, também tive o prazer de conhecê-lo. Aliás, foi uma amizade extremamente salutar! Ele interagia comigo como se me conhecesse há tempos. Gravamos vídeos, contamos histórias e, como disse antes, foi um prazer ter tido a oportunidade de tê-lo como amigo. Lamentei muito não poder dar um último adeus, mas Deus sabe de todas as coisas. Minha solidariedade à família Palmeira.
Tive o prazer de conhecer essa alma grande, que Deus com sua misericórdia de perdão, abra a porta do Paraíso.