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Analista: Open Banking é algo nunca antes visto no Brasil e pode ser muito positivo para clientes

A Sputnik Brasil conversou com Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, sobre o que é e como vai funcionar o Open Baking, além de quais são as vantagens e perigos da nova plataforma.

Publicada em 14/08/21 às 07:50h - 92 visualizações

por Sputnik


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 (Foto: Reprodução)

A segunda fase do Open Banking no Brasil teve início nesta sexta-feira (13). O Open Banking é uma plataforma supervisionada pelo Banco Central (BC) que permite que as pessoas compartilhem, sob autorização, dados pessoais com instituições financeiras para receber um atendimento diferenciado.

"Estamos criando o maior Open Banking do mundo e batendo vários recordes mundiais [...]. Batemos recordes em tempo de implementação, quantidade de chamadas [integrações entre instituições] e quantidade de participantes", afirmou João André Pereira, chefe do departamento de regulação do BC, citado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (13).

Para entender melhor o que é o Open Banking, como funciona a plataforma e quais são as vantagens e perigos para os cidadãos, a Sputnik Brasil conversou com Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Implementação da 2ª fase

Na primeira fase, os bancos abriram informações básicas, como canais de atendimento e serviços oferecidos, entre as próprias instituições financeiras. A segunda etapa começa com mais de 100 instituições financeiras participantes. Apenas 11 são obrigatórias, o restante optou por integrar o projeto, explica Jason Vieira.

"Os 11 maiores bancos brasileiros são obrigados a aderir. Outras empresas que são autorizadas, reguladas e supervisionadas pelo BC também podem aderir, mas não é compulsório [...]. A partir da implementação o cliente vai ser alertado sobre a possibilidade de utilização do sistema [...]. Os aplicativos dos bancos efetivamente vão ter a possibilidade de aderir ao Open Banking", explica.

Na etapa que começa nesta sexta-feira (13), as pessoas vão decidir se permitem que outras instituições financeiras tenham acesso às suas informações. De acordo com o BC, o compartilhamento das informações só poderá ser feito após a autorização do cliente e se for informada a finalidade e o prazo de uso dos dados. Os clientes também têm direito de cancelar esse consentimento a qualquer momento.

Vantagens da plataforma

Jason Vieira recorda que o conceito por trás do Open Banking já funciona há muitos anos no Reino Unido e nos EUA e tem por finalidade gerar serviços diferenciais para os clientes. Ele acrescenta que o programa brasileiro Consumidor Positivo já trazia algumas vantagens nessa linha, mas destaca que o Open Banking opera em outro patamar.

"A diferença é que o Consumidor Positivo simplesmente pegava as informações que cada instituição financeira tinha, dava nota aos clientes e as instituições utilizam isso como parâmetro para qualificar esse cliente em relação ao crédito [...]. A vantagem do Open Banking é que esse histórico de informações fica mais aberto entre as instituições financeiras. É um sistema bancário aberto, coisa que no Brasil nós nunca tivemos antes. Os bancos sempre mantiveram uma perspectiva muito fechada com relação às informações dos clientes."

A expectativa é que com o Open Banking taxas de cartão de crédito, por exemplo, comecem a ficar mais competitivas. E que clientes com boa saúde financeira sejam recompensados.

"A diferenciação do crédito é algo muito importante e que foi uma demanda por anos. É algo que pode influenciar não só sistema bancário, mas o mercado de seguros, o mercado de consumo. [...]. [Eles podem] fazer uma diferenciação direta e imediata em cima do cliente, sobre a saúde financeira dele e premiar o bom pagador. E o prêmio virá na redução de custos de operações bancárias, de investimentos, de crédito em suas diversas esferas", comenta.

O especialista ressalta ainda que com o novo ciclo de juros altos no país, ocorre o encarecimento do crédito e os clientes podem conseguir um crédito mais vantajoso por ter um bom comportamento financeiro. "Vai ser muito positivo para tentar evitar que parte dos efeitos de apertos monetários, de elevações muito grandes de juros, sejam transpassados diretamente para esses clientes."

Perigos e incertezas

Em janeiro deste ano, ocorreu um vazamento de dados da empresa de classificação de crédito Serasa Experian, que expôs dados de 220 milhões de brasileiros, incluindo nome, CPF, endereço, foto de rosto, entre outras informações. Jason Vieira afirma que, apesar de os dados do Open Banking estarem em sistema de segurança, existe a possibilidade de os dados vazarem.

"É passível de vazamento? É, infelizmente a gente sabe que isso já acontece [...]. O Open Banking vai funcionar com a anuência do cliente, o cliente vai ser a ponta final a decidir se vai deixar sua vida financeira aberta [...]. Ele pode querer ficar na média em termos de valores de empréstimos, de juros, de facilidades em termos de questões bancárias e não expor a sua vida financeira, vai depender exatamente de cada cliente", afirma.

O especialista frisa ainda que os sistemas que têm sido adotados pelo BC costumam ter um nível de segurança elevado e os dados dos clientes já estão disponíveis aos bancos de origem e que a consequência legal de um possível vazamento será igual ao de um sistema fechado.

Ainda assim há alguns clientes que serão são obrigados a participar do Open Banking, "pessoas politicamente expostas" terão seus fluxos de informação "flutuando" entre as instituições financeiras.

Jason Vieira afirma que não há como saber ainda quanto tempo demorará para o sistema engrenar e os clientes começarem a receber melhores créditos, mas salienta os potenciais vantagens da plataforma.

"O Open Banking não vai servir só para empréstimos de grande monta, empréstimos de imobiliária, financiamento de veículos ou coisa parecia, ele também poderia servir, de certa maneira, dada a saúde financeira de um cliente, no custo de um cartão de crédito, por exemplo. O spread bancário em cima de empréstimos pessoais e de empréstimos de cartão de crédito [no Brasil] estão entre os mais elevados do mundo", comenta.

O especialista conclui destacando a importância dessa segunda fase, de adesão das pessoas, porque é partir dessa anuência que as instituições bancárias vão poder começar efetivamente a dividir a informação.

"O Consumidor Positivo teve alguns efeitos na redução de custos de empréstimos, isso foi observado especialmente em empréstimos imobiliários. Em alguns, casos, como no empréstimo automotivo, o banco te oferece via celular: você tem disponível determinado valor a crédito para comprar um carro. Significa que eles já olharam o seu score, que eles já sabem sua saúde financeira e significa que você é um bom cliente potencial para eles. Isso é muito provavelmente o que vai acontecer agora com o [novo] sistema. Vai ter uma oferta de crédito ficando mais abundante exatamente para aqueles que tem melhores capacidades de pagamento. Vamos aguardar, vamos ver o que vai se diferenciar efetivamente do sistema antigo, do consumidor positivo."




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