
Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, informou a empresa nesta quinta-feira, 23. O número é 226% pior, mais do que o triplo, do que o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024.
Segundo a companhia, o balanço reflete uma estrutura de custos elevada, incluindo pessoal e universalização (obrigatoriedade de os Correios terem agências em todo o País), uma forte competição com empresas de comércio eletrônico, e queda de 11% nas receitas em relação a 2024.
No ano passado, a empresa foi autorizada pelo Tesouro para tomar um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos, ao mesmo tempo em que começava a implementar um novo plano de reestruturação.
Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o plano ainda levará tempo para dar resultados. Os recursos do empréstimo não influenciaram o resultado direto da empresa, porque as receitas entram como ativos, mas há um passivo correspondente (dívida). Mas esses recursos ajudaram a recuperar a operação da estatal.
“O desafio é muito grande. A gente tinha um plano de reestruturação que estava sendo desenhado. Depois a gente fez outro plano de reestruturação e os números ainda vão demorar um pouco a melhorar. A presença universal da empresa segue como um desafio”, afirmou.
A empresa registrou receita líquida de R$ 17,3 bilhões no ano, uma queda de 11,35% sobre 2024. Segundo a estatal, em comunicado interno aos seus funcionários, o principal fator isolado para a queda das receitas foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais. Os segmentos de Mensagem cresceu 6,8% e novos negócios aumentaram 5,1%. Já as encomendas caíram 0,5%.
Os pagamentos judiciais também pesaram e atingiram R$ 6,4 bilhões, com aumento de 55,12% sobre o ano anterior. Segundo a empresa, contudo, esse aumento das despesas judiciais vai reduzir incertezas no futuro, porque os números estarão mais bem representados no balanço.
“Essa medida de governança assegura que o passivo da empresa esteja fielmente representado, eliminando incertezas para os ciclos futuros”, afirmou a estatal.
Por outro lado, a estatal foi beneficiada pelo parcelamento no pagamento de tributos em até 60 parcelas, de R$ 2,5 bilhões, em negociação com a Receita Federal.
“Os precatórios foram parcelados em cronograma até dezembro de 2026, aliviando a pressão imediata sobre o caixa. A dívida tributária com a Receita Federal, composta principalmente por PIS e COFINS, acumulados no período de maior pressão de caixa, foi renegociada em até 60 parcelas, regularizando o passivo de forma gradual”, disse a companhia.
PDV teve resultado abaixo da meta
O plano de Demissão Voluntária (PDV) teve adesão de 3.748 funcionários, abaixo da meta de 10 mil estabelecida pela empresa. Segundo Rondon, a meta era ousada e de curto prazo, mas agora a estatal poderá fazer um balanço do plano para novos ajustes.
“A adesão, a nosso ver, não foi baixa. A gente sabia que ter 10 mil de PDV era desafiador. Fizemos um programa curto, para ter um balanço e aí avaliar. O plano traz essa flexibilidade, não é rígido. O plano prevê que para cada ação a gente faz um balanço, enxerga o resultado e adota ou não outra ação complementar”, afirmou.
A empresa prevê economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e estimativa de R$ 775,7 milhões economizados em 2026.
“Ao todo, o biênio soma quase 7 mil adesões voluntárias e economia estimada de R$ 923 milhões. A venda de 18 imóveis subutilizados projeta mais de R$ 13 milhões em receita patrimonial adicional”, disse a empresa.
Rondon apontou para a queda de R$ 2,3 bilhões em receitas da empresa, ao mesmo tempo em que os custos são fixos.
“De onde está vindo esse resultado? Primeiro, é uma parte de queda de receitas, de R$ 2,3 bi. O primeiro fator é o ciclo vicioso. A dificuldade de caixa afeta fornecedores, a operação, macula a capacidade de aumentar volume e novos contratos. A receita está estável em termos nominais, temos que melhorar isso”, afirmou.
Ele explicou que o aumento dos passivos judiciais visou dar mais transparência sobre o balanço da empresa, com reconhecimento desses gastos por meio de provisões.
“O segundo fator que é relevante é o aumento de provisões por passivos judiciais. Esse aumento não é aumento efetivo das ações, mas do senso de transparência de se reconhecer no balanço esse passivo judicial”, disse.
Rondon citou os reajustes salariais pela inflação, que é garantido por lei, e que pressiona o caixa da empresa.
“O outro ponto que já começa a aparecer é a despesa geral. Ela não para, a estrutura de custos é muito rígida, com característica de custos fixos. Quando cai, não conseguimos fazer o ajuste. Tem reajuste salário pela inflação com tese judicial consolidada”, disse.
Capitalização adicional adiada
Rondon, disse hoje que a capitalização adicional de até R$ 8 bilhões não é necessária de forma imediata, por causa dos gastos com juros que vão afetar o balanço da estatal.
“Estamos fazendo consulta dentro do que é projeção de fluxo de caixa da receita. Talvez não valha captar muito recurso agora e ficar empoçado”, disse.
Para viabilizar a liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram em novembro passado a operação de crédito com aporte de até R$ 20 bilhões. O Tesouro Nacional aprovou um empréstimo inferior, de até R$ 12 bilhões. Uma capitalização adicional, de até R$ 8 bilhões, segue em tratativa. O presidente falou que houve maior receptividade dos bancos neste momento, na comparação com 2025.
“Podem não ser os R$ 8 bilhões para uma próxima captação, (porque) algumas ações que a gente conseguiu implementar trouxeram conforto de liquidez que é relevante”, acrescentou.
A companhia visa o equilíbrio das contas em 2026 e 2027. O presidente dos Correios declarou ainda que privatizar ou não a empresa é uma pauta do controlador, não sendo tratada pela atual administração da empresa.