Metaforicamente, o ovo da serpente é a gestação do mal provocada pelos maus.
Semana passada, em plena luz do dia, Dona Terezinha Neves, 69 anos, foi morta, na rua São Paulo, centro de Juazeiro do Norte, com uma facada por um facínora que nem a conhecia ou tinha motivos para tal barbárie.
Na madrugada deste sábado, um criminoso solto com tornozeleira eletrônica matou um jovem e deixou outro em estado gravíssimo usando um carro como arma.
A violência cresce de forma orgânica e organizada por tantas circunstâncias que o intelecto humano não consegue entender para explicar. Leniência dos governos, ineficácia das leis, miséria, má qualidade da educação pedagógica, falta de liames familiares, afastamento e descrença em Deus, vulgarização dos valores cristãos? A banalização da violência com seus índices absurdos nos faz refletir sobre o que queremos para o nosso futuro e dos que ainda virão. Mata-se por um tênis, um celular, uma corrente de ouro. As escolas estão se tornando lugares inseguros e até perigosos pela presença do tráfico e o inevitável assédio à nossa juventude. As ruas, principalmente a noite, são impossíveis de andar a pé ou mesmo de forma descuidada em veículos. Não podemos nos conformar e aceitar isso como "o novo normal", a indignação das famílias que perdem seus filhos para a violência e o crime, arrefecem suas lutas por justiça e punição aos culpados, por não verem uma ação mais enérgica e eficaz por parte do sistema judiciário. As progressões das penas como forma de ressocialização não funcionam. A reincidência no crime é absurda; pessoas que são presas dezenas de vezes atestam o fracasso do atual sistema jurídico penal. Adolescentes não podem trabalhar, a palmada corretiva está proibida e criminalizada, a falta de lazer e de oportunidades, em certa medida, tornam os jovens vítimas fáceis para o ingresso no crime organizado ou não. Todo esse estado de coisas está gestando um grande perigo de convulsão social. O avanço do autoritarismo, o cerceamento das liberdades individuais, o controle dos meios de comunicação em todas as suas mídias, o fascismo disfarçado de assistência governamental, só farão eclodir a tirania que produz o medo coletivo e mais violência.
Precisamos de um novo Codex penal que traga segurança à coletividade de que as leis serão cumpridas em sua amplitude pedagógica e punitiva. Só assim teremos um pavimento largo para caminharmos em paz para o futuro.
José Irlando de Sampaio Morais
Advogado cearense.