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O agro sobe a Chapada e a água do Cariri corre perigo

Publicada em 10/05/26 às 09:21h - 42 visualizações

Azila Maia Cartaxo


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O agro sobe a Chapada e a água do Cariri corre perigo
 (Foto: Reprodução/Internet)
Durante décadas, a Chapada do Araripe foi vista pelo povo do Cariri como símbolo de vida, resistência e abundância. Enquanto o sertão enfrentava secas históricas, a Chapada permanecia como um santuário natural responsável por proteger nascentes, equilibrar o clima e garantir água para milhares de famílias.

Hoje, porém, esse patrimônio ambiental está sendo violentamente atacado pelo avanço do agronegócio.

Grandes áreas de vegetação nativa estão sendo derrubadas para dar lugar a extensas plantações de milho e monoculturas mecanizadas. O que antes era mata de caatinga, biodiversidade e proteção hídrica agora começa a ser substituído por um modelo agrícola agressivo, baseado no lucro imediato e na exploração intensiva da terra.

O problema é que a Chapada do Araripe não é uma área comum.

Ela funciona como uma gigantesca esponja natural. Sua vegetação absorve a água da chuva e alimenta lentamente os aquíferos subterrâneos responsáveis pelas fontes e nascentes que abastecem o Cariri. Sem a mata, o solo endurece, a água escorre rapidamente e a capacidade de armazenamento hídrico diminui drasticamente.

Traduzindo de forma simples: destruir a vegetação da Chapada é acelerar o futuro colapso da água em nossa região.

Mesmo diante desse risco evidente, setores políticos seguem apoiando o avanço do agro sobre áreas sensíveis da Chapada. Entre eles está o senador Cid Gomes, apontado como aliado político de empresários interessados na expansão agrícola dentro do território ambiental da Chapada.

Infelizmente, parte da classe política brasileira ainda trata a natureza como obstáculo econômico, quando na verdade ela é a base da própria sobrevivência humana.

Não existe desenvolvimento em uma terra sem água.

O mais revoltante é perceber que o povo pouco participa dessas decisões. Tudo acontece nos bastidores: licenças ambientais, acordos políticos, expansão de áreas agrícolas e destruição silenciosa da caatinga. Enquanto isso, comunidades inteiras podem pagar o preço no futuro com calor extremo, escassez hídrica e degradação ambiental irreversível.

A Chapada do Araripe não precisa virar um deserto verde de monocultura.

Ela pode gerar riqueza através do turismo ecológico, da preservação científica, da agricultura sustentável, da valorização cultural e da economia popular. Mas para isso é necessário coragem política e consciência ambiental.

O povo do Cariri precisa acordar antes que seja tarde.

Porque quando a água faltar, nenhum discurso político será capaz de matar a sede da população.

A Chapada do Araripe está gritando por socorro.
E defender a Chapada hoje é defender o amanhã de todo o Cariri.



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